quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O primeiro contato com a realidade é a sua formação através dos sentidos e da razão, criando-se um modelo. Após este momento, o conhecimento adquirido é construído através de analogias, comparações feitas entre algo que você conhece e algo que você pode não conhecer. A semelhança induz à procura de significado, racional ou não, mais adequado ao seu modelo. Ainda que universal, a realidade é moldada pela mente humana. Com isso, a semelhança é aparente, pois a realidade universal, que independe da consciência humana, ao ser analisada por ela, torna-se relativa e dependente. É a impossibilidade de construções analíticas iguais. Analogias diferentes são feitas mesmo que envolvam os mesmos objetos ou temas de estudo, pois a metodologia utilizada é sempre diferente. Com analogias necessariamente distintas, a consciência humana é individual. Uma construção conhecida apenas pelo indivíduo que a criou. A realidade se torna uma projeção que passa a ser trabalhada à medida em que se reflete sobre ela. Assim, não existem certezas. Não há conceito de moral ou ética comuns a todos. Assim como distúrbios psicológicos, conceitos e situações complexas fazem com que um busque afins. Estes o introduzem a novas concepções. Tornando-o dependente, o indivíduo deixa de ser a base das considerações morais e se forma um grupo com integrantes análogos. O grupo busca por outros, assim como outros os buscam. O crescimento de análogos esmaga o crescimento dos portadores de pensamentos distintos. Processo natural. Seleção natural ilusória. Frente a isso, o indivíduo anormal supre as próprias necessidades e aspirações ao iludir os próximos com a idéia de que também é um semelhante quando seu único pensamento é satisfazer o auto-interesse. Mesmo os análogos, são anormais. Egoístas racionais, é o que todos são. A sociedade surgida cria um modelo de pensamento ideal, uma ideologia, mas ninguém a segue. Convivem com ela como um ser convive com o chão que pisa. É indiferente, apesar de saberem de sua existência. Sabe que se não andarem sobre esse chão, perderão o apoio que os sustenta. Por não conseguirem recuperar a independência, prefere-se o passivo. O medo é o pilar que sustenta a sociedade.

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